Vazio na política tira opção para eleição do novo governador de MS

25/07/2017

Vazio na política tira opção para eleição do novo governador de MS

Encontrar um ou mais nomes de pessoas que reúnam capacidade administrativa e financeira para devolver o Estado de Mato Grosso do Sul rumo ao desenvolvimento não é tarefa difícil. Pelo contrário. Seria possível apontar grande número deles. O difícil, senão impossível, será encontrar uma ou mais pessoas que também agreguem a seus nomes conhecimento eleitoral positivo, ou seja, aqueles que sejam reconhecidamente empresários de sucesso e alto conhecimento e reconhecimento popular. No jargão popular, achar essa ou essas pessoas para a disputa eleitoral será mais difícil do que arrancar pica-pau do toco.

Essa declaração, posta no pano eleitoral, revela a inquietação das lideranças políticas que buscam pelo menos um nome contemplado com esses dois requisitos. Não basta ser um grande empresário com capacidade administrativa. Fácil, até. É preciso que ele tenha esse reconhecimento ou, no mínimo, imensa capacidade de conquistar a maioria dos eleitores em uma campanha tão curta. Pior, com a limitação de recursos imposta pela nova legislação eleitoral. E, mais grave ainda, sem dinheiro nem sequer em volume suficiente para permitir campanha eleitoral em um estado tão grande.

As acusações contra as lideranças dos principais partidos deixaram vazio na política de Mato Grosso do Sul. Nas conversas informais, os deputados sentem o desgaste por causa dos grandes escândalos de corrupção no País. O líder do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Rocha, criticou recentemente o risco para democracia a criminalização da política. Ninguém é contra o combate à corrupção. Mas dentro do preceito legal.

Hoje, os eleitores estão cansados da “velha política”. Mas têm receio da renovação com eleição de político populista e sem preparo para assumir o desafio de governar o Estado. A ânsia de promover mudança radical na gestão pública, em 2012, acabou provocando desastre na administração de Campo Grande. A Capital passou quatro anos vivendo em crise política e administrativa. O então prefeito Alcides Bernal (PP), eleito com discurso de renovação, entrou em guerra com a Câmara Municipal, foi investigado por CPI do Calote e teve seu mandato cassado.

O vice-prefeito Gilmar Olarte (PP) foi efetivado no cargo. Mas foi afastado na manhã do dia 25 de agosto de 2015 por determinação judicial e, na tarde do mesmo dia, Bernal retomou o cargo, também por ordem judicial.

No mesmo período, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Coffee Break para investigar vereadores, lideranças políticas e empresários na “compra e venda” de votos para cassar o mandato de Bernal.

A lição da renovação política em Campo Grande assustou os eleitores. Mas, olhando nos quadros dos partidos, não se vê ninguém de novo para governar o Estado.

O governador Reinaldo Azambuja continua sendo a principal alternativa do PSDB em 2018. O partido não dispõe de outro nome de peso em seu ninho para concorrer às eleições. Até a campanha eleitoral do próximo ano, ele tem outro desafio: combater as denúncias dos donos da JBS, irmãos Joesley e Wesley Batista, de cobrar propinas em troca de benefícios fiscais.

O governador cobra provas do seu envolvimento em esquema. Até o momento, está prevalecendo as delações premiadas dos irmãos para ficarem livres de serem processados e presos.

O PMDB ainda está desorientado com as acusações contra o seu maior líder, exgovernador André Puccinelli. Ele estava sendo preparado para enfrentar Reinaldo Azambuja nas ruas e nas urnas. Hoje, o ex-governador prefere ficar longe da discussão política enquanto estiver sendo investigado pela Polícia Federal.

Na mesma situação está o PT, que sempre rivalizou com o PSDB e PMDB nas urnas O ex-governador e deputado federal José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, também entrou na mira do procurador-geral da República Rodrigo Janot depois das delações de executivos da Odebrecht e da JBS. Ele seria hoje a opção do partido para a sucessão estadual, porque até a principal arma era o senador Delcídio do Amaral, cassado pelo Senado depois de ser preso sob acusação de obstrução de Justiça. Hoje ele está inelegível e sem partido.

Diretoria de Comunicação