Venda da folha salarial desperta interesse de bancos

25/07/2017

Venda da folha salarial desperta interesse de bancos

A venda da folha de pagamento dos servidores de Campo Grande atraiu os maiores bancos do País. Conforme o secretário municipal de Finanças, Pedro Pedrossian Neto, desde a confirmação da operação para levantar recursos e garantir o pagamento do 13º salário dos servidores, os principais bancos já procuraram a pasta para manifestar interesse na folha e obter detalhes de como será o processo de venda.

“Vários bancos estão nos procurando desde a semana passada. Nenhum deles falou em valores por enquanto. Foi a primeira conversa para saber como será feito o processo de venda. O que posso dizer é que todos os grandes já manifestaram interesse”, disse, sem citar nomes.

Conforme o secretário, a definição do banco será feita por meio de processo licitatório, que deve ser concluído em novembro – a tempo para o pagamento do 13º salário aos servidores.

“A licitação será aberta na primeira quinzena de novembro e a escolha do banco será feita pelo melhor preço apresentado para venda antecipada”. A folha de pagamento dos servidores municipais já havia sido vendida na gestão de Nelson Trad, irmão do atual prefeito Marcos Trad, para o HSBC, adquirido pelo Bradesco no ano passado. O contrato vence em julho de 2018. “Por isso, será uma venda antecipada.

O banco que vencer a licitação efetuará o pagamento ainda neste ano, mas só assumirá a folha de pagamento dos servidores no segundo semestre de 2018, depois que se encerrar o contrato com o Bradesco para não caracterizar quebra de contrato com o Bradesco”, destacou.

RECURSO

A venda antecipada da folha dos servidores foi a alternativa encontrada pela administração municipal para levantar recursos e garantir o pagamento do 13º salário dos servidores em tempos de crise econômica e queda nos repasses.

O objetivo é receber entre R$ 50 mi a R$ 52 milhões com a operação, o que corresponde a cerca de 50% do total da folha, orçada em pouco mais de R$ 100 milhões. No mês passado, o município arrecadou em torno de R$ 13 milhões de Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) e R$ 23 milhões de Imposto Sobre Serviços (ISS). O resultado, superior à média de 2016, tem ajudado o município a equilibrar as contas, diante de queda nos repasses federais e estaduais.

O deficit da administração municipal gira em torno de R$ 30 milhões ao mês. Em Campo Grande são cerca de 22,6 mil servidores públicos municipais. Conforme o último relatório do município, até maio o município já operava próximo ao limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

OPERAÇÃO

Para chegar ao valor a ser ofertado no pregão, o banco interessado deverá levar em consideração fatores como número de servidores e a faixa salarial deles. Para as instituições financeiras, o benefício da compra da folha é a movimentação financeira e juros.

Também é visada a possibilidade de o servidor migrar para o banco e aumentar a carteira de clientes. Já para o servidor, o que muda é o cartão da conta-salário, que permite o saque do dinheiro. Se preferir, poderá abrir uma conta corrente ou fazer a portabilidade, em que o dinheiro é transferido automaticamente para a conta de preferência do servidor (opção menos desejada pelos bancos).

Correio do Estado