Prolongamento da crise piora cenário de emprego em MS

11/08/2017

Prolongamento da crise piora cenário de emprego em MS

O prolongamento da recessão econômica nacional pode ter esgotado as reservas da economia de Mato Grosso do Sul. A avaliação é dos economistas Thales de Souza Campos e Paulo Salvatore Ponzini. No mês passado, o Estado, que até então vinha conseguindo manter a gera- ção de empregos estabilizada e até liderou a criação de vagas no País, teve saldo negativo de 1.827 postos de trabalho extintos.

 O resultado foi o terceiro pior de todo o País, à frente somente do Espírito Santo (-1.841 empregos) e Rio de Janeiro (-9.320 mil), segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). De acordo com Campos, no passado, por se tratar de um Estado novo e graças ao desempenho apresentado pela região leste, Mato Grosso do Sul vinha, de um modo geral, sentindo os reflexos da crise de forma não tão intensa como outros estados.

 “Esse índice de desemprego é reflexo da situação econômica do País. Por ser um estado jovem, Mato Grosso do Sul não tinha sofrido um impacto tão forte da crise. Mas, como a situação perdurou mais do que se queria, mais do que se pretendia, o Estado começou a sentir e essa é uma situação preocupante.

 Porque uma coisa é não estar contratando, outra é estar demitindo”, destacou o presidente do Conselho Regional de Economia de Mato Grosso do Sul. Esse esgotamento do Estado diante de crise tão forte e duradoura foi apontado como causa para o comportamento do setor de Serviços. Sozinha, a atividade econômica fechou mais de 2.038 postos de trabalho formais. Para Campos, o setor é um dos que mais vai sentir as consequências. Primeiro, explicou, a crise impacta o setor industrial. Porém, como ainda há estoque, o setor de serviços continua trabalhando. Por isso, a geração de empregos continua.

“Como não houve recuperação, agora acabou o estoque e chega ao setor de serviços, concluiu”. A situação de Mato Grosso do Sul no mês passado foi na contramão do restante do País, que fechou com saldo positivo de mais de 35,9 mil vagas fechadas. No entanto, avaliam os economistas, o resultado ainda não pode ser considerado sinônimo de recuperação dos outros estados. “

A situação só vai mudar quando tivermos um plano de estado e não de governo. A questão é que os gastos públicos continuam a subir, tanto que se estuda mudar a meta novamente”, completou Thales.

CONSUMO

Para a economista Daniella Dias, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul (Fecomércio-MS), além do prolongamento da crise, medidas tomadas pelo governo também impactaram no índice de desemprego, ao abalar a já frágil confiança do consumidor. “O anúncio de algumas medidas pelo governo acabou impactando nas expectativas econômicas.

 Até então, a expectativa é que houvesse uma melhora. Mas essas medidas transformaram a tomada de demissões, tanto do lado do consumidor quanto do empresário. O mês passado, por exemplo, foi avaliado como negativo por grande parte dos empresários. Houve queda no consumo e o setor de serviços também é um comércio”, destacou.

A economista explicou que a falta de confiança na economia fez com que o consumidor voltasse a segurar o consumo e repensasse gastos. “ Por exemplo, serviços como manicure, comer fora de casa, etc., começam a ser revistos. São escolhas para reduzir o peso no orçamento”, disse. Em Campo Grande, por exemplo, pesquisas, explicou a economista, mostraram queda na intenção de consumo, enquanto a inadimplência aumentou entre as famílias. “Nem mesmo os saques do FGTS surtiram o efeito desejado. Comerciantes disseram que houve pouco reflexo no pagamento de contas ou no aumento do consumo”, disse. Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peinc) pode ser usada como base desse esgotamento dos recursos da população. Entre os meses de junho e julho, a inadimplência entre consumidores da Capital saltou de 86,3 mil para 108,5 mil pessoas. Hoje, 35,8% dos consumidores estão com contas em atraso.

Correio do Estado