Venda da fábrica UFN-3 pode ser concluída em até 90 dias

11/05/2018

Venda da fábrica UFN-3 pode ser concluída em até 90 dias

Em abril, reportagem do Correio do Estado já antecipava a informação com exclusividade
A Petrobras confirmou ontem, em nota oficial, uma negociação exclusiva com o conglomerado russo Acron para a venda da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras (UFN-3), em Três Lagoas, e da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), no Paraná. A informação já havia sido antecipada pelo Correio do Estado em abril deste ano, após uma entrevista exclusiva com o senador Pedro Chaves, que também confirmou o pagamento da dívida de R$ 36 milhões com os fornecedores e comerciantes locais.  Ao todo, a negociação exclusiva deve durar 90 dias, mas, segundo o Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (Semagro), Jaime Verruck, é possível que o negócio seja fechado em menos tempo que o previsto. “Eu acredito que teremos a resposta em 30 dias e, até o fim do ano, a obra deve ser retomada. O grupo russo já realizou três visitas aqui, duas em Três Lagoas e uma na Bolí- via, para ver a questão do gás natural”, revela Verruck.  A Acron é uma empresa Russa com foco na produção e comercialização de fertilizantes, com vendas em mais de 60 países. A aquisição da unidade pelo grupo representa, aponta o secretário, um projeto estratégico tanto para o País quanto para Mato Grosso do Sul, além de reposicionar o Estado no cenário industrial. “A empresa deverá ter aquisição de mais de 2 milhões de metros cúbicos de gás natural da Bolívia por dia, que é a matéria-prima da fábrica de fertilizantes. Será uma demanda adicional que ajudará tanto na arrecadação de impostos do Estado quanto na viabilização de estrutura para essa demanda. É uma notícia extremamente positiva” analisa Verruck. HERANÇA A “herança” deixada pelas obras da Fábrica de Fertilizantes é uma dívida de cerca de R$ 36 milhões. Quem levou o calote foram os comerciantes e fornecedores de Três Lagoas. Muitos decretaram falência e fecharam as portas de seus negócios, e uma ação judicial corre na Justiça para resolver o entrave. Segundo informação do secretário da Semagro, Jaime Verruck, a Petrobras se recusa a fazer o pagamento, pois entende que a dívida é do consórcio com quem tinha firma do contrato, que era o responsável pela obra, formado pelas empresas Galvão Engenharia – denunciada na Lava Jato – e Sinopec. Contudo, o senador Pedro Chaves reafirmou ontem ao Correio do Estado que o montante para quitar as dívidas já está “guardado”. “É dinheiro da Petrobras que já está separado, mas agora está negociando com os russos para ver se ela mesmo paga ou se os russos que vão desembolsar”, afirmou Chaves. EXPECTATIVA Em Três Lagoas, a informação foi recebida com misto de alívio e receio. A presidente da Associação Comercial e Industrial de Três Lagoas (ACI), Glaucia Puzzielo Jaruche, disse que a notícia representa esperança de retomada de crescimento e desenvolvimento do município. “É uma notícia maravilhosa. Nossa expectativa é de que a coisa comece a engrenar até o fim do ano. Três Lagoas está passando por um momento de crise. Antes, ficavámos na contramão do resto do País, mas agora também estamos com dificuldades”, relata. Segundo Jaruche, as vendas do comércio da cidade sofreram queda de 25% nos últimos anos. “A gente vê muitos pré- dios desocupados, casas sem alugar. Nossa esperança é de que os russos ponham a fábrica para funcionar, contratem fornecedores locais, para voltar a fomentar o comércio local da cidade”. Já o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Três Lagoas e vice-presidente da ACI, Sueide Silva Torres, prefere ter cautela antes de criar qualquer tipo de expectativa. “A gente já viu muita conversa que não deu em nada. Se acontecer, ótimo. Mas estamos céticos”, define. HISTÓRICO A construção da unidade de fertilizantes teve início em 2011 e foi interrompida em dezembro de 2014, quando a Petrobras rompeu contrato com o consórcio. Estima-se que 80,95% do projeto esteja executado. Ao todo, a obra consumiu R$ 3 bilhões de investimentos e, para concluí-la, a expectativa é de que novo comprador deva arcar com, pelo menos, R$ 2 bilhões. O valor exato, caso a venda se concretize, deverá ser discutido durante a negociação exclusiva com o conglomerado russo.  

Correio do Estado