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08/08/2018

Voz da experiência

Intérpretes que já passaram dos 60 anos empolgam-se com personagens à altura de seus talentos
Envelhecer na televisão é complexo. Em um meio em que a juventude tem lugar de destaque, atores que já passaram dos 60 anos encontram dificuldades de serem escalados para papéis verdadeiramente instigantes e importantes em uma novela. No geral, acabavam como tipos secundários – pais, tios, avós –, sem grandes conflitos individuais. No entanto, nos últimos anos, o protagonismo múltiplo nas tramas e a valorização do talento dos veteranos vêm mudando esse panorama. “A idade foi passando e comecei a observar que não só eu, mas muitas colegas de geração estavam reclamando da falta de bons papéis. A história precisa de estofo e da nossa experiência para funcionar. Acho que os autores passaram a se preocupar com isso também e começaram a nos convidar para papéis especiais”, acredita Arlete Salles. Na tevê desde os anos 1960, a atriz viveu seu apogeu de personagens até o fim da década de 1990. Nos últimos anos, entretanto, voltou a figurar em tipos populares e de grande repercussão, como a Copélia, do seriado “Toma Lá, Dá Cá”. Hoje, aos 76, vive um triângulo amoroso na pele da Naná, de “Segundo Sol”, na companhia de José de Abreu e Francisco Cuoco, um dos maiores galãs dos anos 1970. “Estou com 84 anos e é muito legal ser chamado para um papel empolgante e que guarda grandes mistérios da trama. Me sinto prestigiado”, celebra Cuoco. Outro triângulo entre veteranos fez muito sucesso na recente “O Outro Lado do Paraíso”. Na trama de Walcyr Carrasco, Mercedes, Caetana e Josafá, personagens de Fernanda Montenegro, Laura Cardoso e Lima Duarte, se conheciam desde a juventude e fizeram um acerto de contas ao longo dos capítulos da trama. “Estava previsto que a Caetana morreria na primeira fase da novela, mas gostei tanto da história e recebi tanto carinho do público que liguei para o Walcyr e pedi para ela ficar”, explica, aos 90 anos, Laura Cardoso. Ao lado de Fernanda, Laura é uma das poucas veteranas que nunca tiveram problemas com escalação na tevê. É contratada da emissora e, sempre que termina um trabalho, já está negociando uma nova personagem. Fernanda bem que poderia seguir pelo mesmo esquema, mas, para não ter a obrigação de fazer todo projeto, acabou por não ter contrato de prazo longo com a Globo, desde os anos 1970. “Dessa forma, consigo me organizar melhor e fazer somente o que me toca de forma especial”, valoriza Fernanda. Lima Duarte acredita que seu papel como Josafá fez jus aos grandes personagens que já viveu na tevê. No entanto, a oportunidade só veio depois de uma série de reclamações públicas do ator. Contratado da Globo, ele ficou quase sete anos sem fazer uma novela na íntegra. Neste meio tempo, fez apenas participações em “I Love Paraisópolis” e nas séries “Os Experientes” e “Treze Dias Longe do Sol”. “Sentia que estava sendo pago para ficar em casa. Amo atuar e é diferente quando o autor pensa em você para um papel e você tem a possibilidade de criar um personagem de verdade. Josafá me deu grandes alegrias e espero voltar logo aos estúdios”, vibra Lima. Por motivos diferentes, outro veterano que parece ter se reencontrado com a televisão é Paulo César Peréio, 77 anos. Premiado e conhecido por sua extensa colaboração com o cinema nacional, ele se afastou da tevê por falta de interesse. A ausência de bons convites para filmes, entretanto, fez o ator ceder aos chamados de emissoras abertas e canais pagos. Depois de participar de “Etâ Mundo Bom!”, da Globo, e da série “Magnífica 70”, da HBO, ele agora vive o rabino Simeão, em “Jesus”, da Record. “Meus amigos não acreditaram quando disse que topei fazer uma novela bíblica. Mas, de verdade, o personagem é legal e a história é muito conhecida. A televisão hoje tem os melhores papéis. O cinema anda passando por um período de entressafra”, opina Peréio. A lista de intérpretes experientes roubando a cena em novelas recentes é grande. Na Record, nomes como Paulo Figueiredo, Lucinha Lins, Jussara Freire e Castrinho estão sempre escalados para papéis importantes em folhetins. Na Globo, Marco Nanini, 70 anos, destacou-se nas novelas “Êta Mundo Bom!” e “Deus Salve o Rei”, e Nathalia Timberg, 88 anos, vem retratando o cotidiano de personagens idosas de forma realista em tramas como “Amor à Vida” e “Babilônia”. Além disso, nomes como Ana Lúcia Torre, Nicette Bruno, Eva Wilma, Irene Ravache e Othon Bastos, entre outros, estão sempre sendo escalados e têm suas necessidades especiais atendidas pelas produções. “O roteiro precisa entender que a gente não é mais tão jovem. Então, é importante concentrar as cenas em dias específicos ou evitar tantas externas”, acredita Ary Fontoura. Sucesso como o rabugento Barão de Ouro Verde, de “Orgulho e Paixão”, Ary é outro que nunca sentiu a crise por bons personagens enfrentada por atores mais velhos. Contratado da emissora desde o fim dos anos 1960, passeia livremente pelos diversos núcleos e tem sempre um personagem em vista. “Mantenho uma boa relação com a emissora, diretores e autores. Realmente, não tenho do que reclamar dos trabalhos que tenho feito nos últimos anos. Agora mesmo, a morte do Barão estava prevista e acabou que ficarei até o fim da história”, comemora Ary PONTOS DE VISTA De forma tímida, algumas produções brasileiras focadas em histórias da terceira idade começam a aparecer na tevê aberta. Parceria entre a Globo e a produtora paulistana O2 Filmes, “Os Experientes”, de 2015, foi um belo exemplo de como a temática pode ser desenvolvida. Dirigida por Fernando Meirelles, a série resgatou nomes que aparecem de forma bissexta no vídeo, como o falecido Goulart de Andrade, Joana Fomm e Beatriz Segall. “Nossa cultura é obcecada pela juventude e os velhos tendem a ser colocados de lado, como se não tivessem mais nada a dizer, ensinar ou viver.  Grande besteira”, acredita Meirelles. Agora sob a supervisão de Glória Perez, a série será retomada para uma nova temporada repleta de novidades e com estreia prevista para 2019. Além de resgatar intérpretes, os roteiros estarão a cargo de grandes nomes da teledramaturgia, como Manoel Carlos, Gilberto Braga e Aguinaldo Silva. “O primeiro time de autores da emissora é formado por pessoas velhas. O conceito é que eles coloquem suas ideias e experiências em um episódio da série. Acredito que esse mosaico será bem rico”, adianta Glória.

Correio do Estado

 

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