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Pousadas do Mato Grosso recebem aumento de turistas para o ecoturismo de comtemplação da natureza
06 de maio de 2021 08:40
Pousadas do Mato Grosso recebem aumento de turistas para o ecoturismo de comtemplação da natureza
Divulgação
Estrela do ecoturismo de contemplação, onça-pintada atrai centenas de viajantes estrangeiros, que colocaram o Estado no mapa dos safáris fotográficos

Ecoturimo para ver a onça-pintada representa receita anual bruta de US$ 6,8 milhões no Brasil.

Nos últimos anos, o turismo no estado de Mato Grosso teve como um de seus impulsionadores o ecoturismo de contemplação, com destaque para pousadas construídas ao longo da rodovia Transpantaneira em que os visitantes têm a oportunidade de ver o maior felino das Américas: a onça-pintada. A população do maior predador brasileiro tem aumentado nos últimos 30 anos na região de Porto Jofre, entre Poconé e Barão de Melgaço, municípios que hoje têm cerca de dez pousadas. Conforme o estudo The numbers of the beast: Valuation of jaguar tourism and cattle depredation in the Brazilian Pantanal, publicado em duas fases (2015 e 2017) na revista Global Ecology and Conservation, existe aproximadamente uma onça a cada dois mil hectares nas áreas florestadas perto dos rios da região.

O turismo para ver esses animais movimenta estimados US$ 7 milhões anuais, atraindo centenas de estrangeiros, que colocaram o Estado no mapa dos safaris fotográficos. A pandemia, no entanto, alterou o fluxo de turismo na região, que também foi afetada por incêndios em 2020. No lugar de estrangeiros, as pousadas estão atraindo principalmente turistas locais que aproveitam um fim de semana ou feriados prolongados para conhecer a região e tentar avistar o felino. “Houve uma alteração do fluxo, com as pousadas buscando um turista que não era o foco delas. Muitos moram perto da região e nunca tinham visitado” afirma Fernando Tortato, pesquisador associado a ONG Panthera e um dos autores do estudo, ao lado de Thiago Izzo. A mudança do perfil dos hóspedes teve impacto sobre o preço dos pacotes e a estratégia das pousadas. Antes, ficar cinco dias poderia passar de R$ 20 mil a depender dos quartos e passeios.

Hoje, esses preços caíram pelo menos 50%. As pousadas também passaram a oferecer promoções e prêmios em sorteios. A expectativa é a de que, quando a pandemia acabar, a região volte a atrair turistas de outros países. Há uma estrutura construída ao longo dos anos para abrigar os interessados em capturar cenas da vida selvagem. As pousadas têm equipes treinadas de guias, alguns bilíngues e trilíngues.

Pilotos de barco pegam os hóspedes na pousada e seguem pelos rios. Os grupos se comunicam via rádio e, quando um animal aparece na margem, logo a informação se espalha. A volta desses visitantes é fundamental, uma vez que o ecoturismo pode ser um trunfo na luta para a proteção do animal. Segundo a pesquisa de Tortato e Izzo, o ecoturismo da onça-pintada gerava receita anual bruta de US$ 6,8 milhões, enquanto ataques de onças a gado de fazendas causavam prejuízo de US$ 121 mil por ano por conta da perda de vacas e bois. Ou seja, a receita proveniente do turismo de observação das onças no Pantanal supera em mais de 50 vezes as perdas com eventuais ataques do felino a rebanhos.

O estudo publicado na Global Ecology and Conservation apontou também que “a indústria do ecoturismo deve ser explicitamente considerada pela órgãos governamentais como grandes geradora de receita no Pantanal, com vantagem adicional de atuar como agente ambiental e ferramenta de conservação não só para onças, mas também para todo o ecossistema.” Enquanto a região aguarda a recuperação do ecoturismo de contemplação, pesquisadores avaliam o impacto dos incêndios de 2020 sobre a fauna e flora do bioma. Segundo Tortato, monitoramento periódico tem mostrado que as queimadas parecem não ter tido impacto tão significativo sobre os grandes mamíferos, como as onças, como se previa inicialmente. “Mas temos de ficar de olho”, diz.


Valor






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