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Volume de óbitos por todas as causas aumenta 61.4% este ano em Mato Grosso do Sul
03 de julho de 2021 11:31
Volume de óbitos por todas as causas aumenta 61.4% este ano em Mato Grosso do Sul

Comparativo foi feito de acordo com dados do Registro Civil entre janeiro e junho de 2020 e 2021.

As mortes ocorridas em Mato Grosso do Sul no primeiro semestre deste ano apresentaram crescimento de 61,4% em relação ao total registrado de janeiro a junho de 2020. O aumento é puxado, principalmente, pela pandemia da Covid-19, que já vitimou 8.269 pessoas desde março do ano passado.

De acordo com dados do Portal da Transparência do Registro Civil, em 2020, de janeiro a junho, 8.204 pessoas morreram em Mato Grosso do Sul, dos quais 2.761 em Campo Grande, 768 em Dourados, 380 em Corumbá e 356 em Três Lagoas.  

Já neste ano, no mesmo período, o número total de óbitos no Estado cresceu para 13.345, com 5.034 em Campo Grande, 1.123 em Dourados, 815 em Três Lagoas e 561 em Corumbá.

Se comparado com 2019, quando ainda não havia Covid-19, o aumento é ainda maior, a diferença fica em 66% em relação aos números deste ano. Naquele período, 8.031 pessoas morreram em Mato Grosso do Sul no primeiro semestre, 2.832 na Capital, 715 em Dourados, 354 em Três Lagoas e 359 em Corumbá.

Para a médica infectologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Ana Lúcia Lyrio, a Covid-19 mostrou que, além dos óbitos contabilizados em decorrência da doença, o aumento de mortes também está relacionados ao fato de pacientes com a doença algumas vezes sofrerem complicações relacionadas com outras comorbidades.

“Com certeza a pandemia contribuiu para este crescimento de mortes, nossa taxa de contágio está altíssima e a letalidade aumentou para 2,5%. Para se ter uma ideia, ano passado era 1,8%", informou a infectologista.

"Temos ainda o aumento na ocupação de leitos, e o cenário de circulação das variantes. A gama [P.1] não tem comparação com a cepa que circulava no País em 2020", explicou.

"E temos ainda outro cenário que corrobora com o aumento das mortes, os casos relacionados ao pós-Covid19, porque às vezes o paciente sai do tubo [de oxigênio], mas infelizmente falece por conta de AVCs, infartos e outras situações”, completou.

CAUSAS

Os dados do Registro Civil também trazem o detalhamento das causas mais frequentes de mortes em Mato Grosso do Sul. Pode-se observar uma mudança drástica, além do aumento, da principal causa dos óbitos no Estado.  

Em 2019, quando ainda não havia circulação do novo coronavírus no Estado, a doença que mais matou em MS foi pneumonia, com 1.465 registros, seguida por infarto, com 958, septicemia, com 790, acidente vascular cerebral (AVC), com 724, e insuficiência respiratória, 600. 

Além disso, outras 2.234 mortes estão registradas como “demais óbitos”, que une várias causas.

Como os primeiros casos de Covid-19 foram registrados em março de 2020 no Estado, os dados do ano passado, até junho, trazem apenas 102 mortes pela doença. Porém, conforme a Secretaria de Estado de Saúde (SES), no restante do ano foram contabilizadas 2.385 mortes pela doença. 

Em 2020, a pneumonia seguiu como a doença mais letal no Estado, causando 1.349 óbitos. Além disso, entram na lista o infarto, com 956 registros, septicemia, 859, AVC, 673, causas cardiovasculares inespecíficas, 650, e demais óbitos, com 2.458 registros.

A situação mudou de cenário em 2021, quando a pandemia já estava estabelecida em Mato Grosso do Sul. Neste ano, pelos dados contabilizados até o momento pelo Registro Civil, 5.574 pessoas faleceram em virtude da Covid-19 no Estado.  

Em relação às outras causas, a pneumonia foi responsável por 1.141 mortes, o infarto, por 1.006, a septicemia, por 795, causas cardiovasculares inespecíficas, 725, AVC, 641, e outras causas variadas somaram 2.488 óbitos.

Segundo a infectologista Mariana Croda, esse aumento exacerbado das mortes só costuma ocorrer quando acontecem tragédias com muitas mortes. “Isso acontece em catástrofes como enchentes, [rompimento de] barragens, como em Minas Gerais, entre outras”.

O aumento pode ser sentido nos cemitários da Capital. Segundo matéria publicada pelo Correio do Estado no mês passado, o aumento de enterros sociais pode fazer com que as vagas em cemitérios públicos se esgotem até 2022.

SITUAÇÃO ATUAL

Por um conjunto de fatores, atualmente Mato Grosso do Sul tem conseguido reduzir, ainda de forma lenta, o número de mortes por causa da Covid-19. Os especialistas listam as medidas restritivas e a vacinação como as causas que podem ter contribuído para a queda.  

Nesta sexta-feira, o Estado contabilizou mais 38 mortes, e a média móvel de óbitos por dia chegou a 39,4, a menor dos últimos 21 dias no Estado.  

Em relação aos casos, 916 confirmações foram acrescidas, totalizando 337.003 episódios desde o início da pandemia.

Também podem ser observadas quedas na ocupação de leitos e na espera por vagas hospitalares. De acordo com o boletim epidemiológico da SES divulgado na sexta-feira, 15 doentes aguardavam por um leito em Mato Grosso do Sul. 

O número é 18 vezes menor em relação ao registrado há um mês. Em fila de espera, 278 pessoas aguardavam por uma vaga em hospital no dia 2 de junho, ainda conforme a Pasta.

Na Central de Regulação da Capital, 13 enfermos aguardavam por uma vaga nesta sexta, sendo 12 de Campo Grande. Não havia pacientes em fila de espera na Central de Regulação de Dourados, e na Central de Regulação do Estado (Core) dois pacientes aguardavam.  

Já no mês passado, 170 enfermos aguardavam por um vaga em hospital na Central de Regulação da Capital, sendo 144 de Campo Grande. Por outro lado, na Central de Regulação de Dourados eram 75 pessoas à espera na fila, e no Core aguardavam 33 pacientes.

Nesta sexta-feira, 835 pessoas ocupavam um leito no Estado, das quais 384 em leitos clínicos (286 públicos; 98 privados) e 451 em unidades de terapia intensiva (UTIs) (369 públicas; 82 privadas).

A ocupação global de leitos de UTI do Sistema Único de Saúde (SUS) na macrorregião de saúde de Campo Grande estava em 91%, já em Dourados era de 85%, Corumbá, 93%, e o menor porcentual estava em Três Lagoas, 75%.


Correio do Estado






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